Festival Pernambuco Meu País abre o Carnaval 2026 exaltando a força da música pernambucana


Abertura no Terminal Marítimo do Recife reuniu milhares de pessoas, homenageou ícones da música pernambucana e celebrou o legado do manguebeat

O Festival Pernambuco Meu País abriu oficialmente o Carnaval 2026 do Estado de Pernambuco com uma grande celebração da música pernambucana, marcada por homenagens a ícones da cultura local e pela presença de milhares de pessoas na noite desta sexta-feira (6), no Terminal Marítimo do Recife. 

A cerimônia contou com a presença da governadora Raquel Lyra, da vice-governadora Priscila Krause, da secretária de Cultura, Cacau de Paula, da presidente da Fundarpe, Renata Borba, do presidente da Empetur, Eduardo Loyo, de Carla Pereira, diretora de Ações Culturais da Fundarpe, além de outras autoridades e representantes do setor cultural. A noite foi atravessada por momentos simbólicos de reconhecimento a artistas celebrados no Carnaval 2026: Nena Queiroga, Maestro Duda e João Gomes receberam placas de homenagem entregues pela governadora. Já Chico Science foi lembrado em um dos momentos mais emocionantes da abertura: antes do show da Nação Zumbi, um vídeo com depoimento de sua filha, Louise França, foi exibido no telão, comovendo o público e reafirmando a permanência do legado do manguebeat na cultura contemporânea.

A noite inaugural apresentou um line-up composto exclusivamente por artistas pernambucanos, em uma escolha curatorial que celebrou a história e a influência do manguebeat. Subiram ao palco Alessandra Leão, Buhr, Mestre Ambrósio, Mundo Livre S/A, Nação Zumbi, com participação especial de Maciel Salú, e João Gomes, em uma sequência de shows que percorreu diferentes gerações e estéticas da música feita em Pernambuco.

Com programação gratuita, o Festival Pernambuco Meu País reafirma o compromisso do Governo de Pernambuco com a democratização do acesso à cultura, a valorização dos artistas da terra e o fortalecimento da economia criativa, reunindo públicos diversos e evidenciando a pluralidade de linguagens e territórios sonoros que fazem do estado um dos polos culturais mais pulsantes do país.

“Não existe outro lugar no Brasil, e arrisco dizer no mundo, com tantos artistas extraordinários por metro quadrado como Pernambuco. Estar aqui hoje é celebrar essa força, homenageando em vida nomes como o Maestro Duda, Nena Queiroga e o nosso querido João Gomes, que se tornou uma unanimidade nacional, sem nunca deixar de lado o legado eterno de Chico Science. Pernambuco sempre teve um elenco impressionante de talentos, mas reunir e reconhecer esses artistas em um mesmo palco não é para qualquer lugar. A cultura pulsa nas veias do nosso estado, do Sertão ao Litoral, passando pela Zona da Mata, pelo Agreste e pela nossa capital”, afirmou a governadora Raquel Lyra.

Em sintonia, a secretária de Cultura, Cacau de Paula, celebrou o caráter democrático da iniciativa e o protagonismo da produção local. “O palco do Pernambuco Meu País é o espaço onde essa potência cultural se encontra: diferentes gerações da música pernambucana dividindo a mesma cena, dialogando entre si e com o público. É uma programação gratuita, democrática e diversa, que reafirma nosso compromisso de garantir acesso à cultura e de valorizar quem constrói, todos os dias, a identidade sonora de Pernambuco”, destacou.

O presidente da Empetur, Eduardo Loyo, ressaltou o impacto econômico da iniciativa, que antecipou em uma semana a abertura do Carnaval no estado. “O Governo de Pernambuco está ampliando o calendário carnavalesco, trazendo para a Região Metropolitana grandes atrações nacionais e, sobretudo, pernambucanas, e impulsionando a nossa economia. Não é por acaso que as companhias aéreas ampliaram em 10% a oferta de voos em relação ao ano passado. É Pernambuco em movimento, fortalecendo o turismo, gerando empregos e criando oportunidades para a nossa população”, afirmou.

Para Carla Pereira, diretora de Ações Culturais da Fundarpe, a edição de Carnaval amplia ainda mais o alcance da iniciativa. “Este ano, o Carnaval de Pernambuco ganha uma extensão ainda mais potente, celebrando a música pernambucana e aquilo que temos de mais rico no nosso solo sagrado: a nossa cultura. É um movimento que fortalece, valoriza e fomenta a produção cultural do estado em toda a sua diversidade”, pontuou.

*PROGRAMAÇÃO DE SHOWS*

A programação musical da noite teve início às 18h, com Alessandra Leão e Buhr, duas artistas fundamentais da música pernambucana contemporânea. Com trajetórias marcadas pela experimentação, pelo diálogo com as tradições populares e por uma postura autoral, ambas apresentaram repertórios que atravessam discos como Macumbas e Catimbós, Acesa, Folia de Santo, no caso de Alessandra, e Eu Menti pra Você e Longe de Onde, de Buhr. 

Na sequência, o Mestre Ambrósio levou ao público um repertório que reafirma sua importância histórica na fusão entre maracatu, ciranda, coco e sonoridades contemporâneas. “Essa noite faz a gente lembrar de um passado muito forte, lá do Abril Pro Rock, quando dividimos o palco com o Mundo Livre S/A, Chico Science e a Nação Zumbi. Poder reviver isso hoje, nesse contexto, é um marco enorme para todos nós”, relembrou Éder Rocha, integrante do grupo.

Em seguida, o Mundo Livre S/A subiu ao palco trazendo a energia e a verve crítica que marcaram o manguebeat desde os anos 1990. Com clássicos do seu repertório, a banda reafirmou seu papel central na construção de uma música urbana, política e profundamente ligada à identidade recifense. 

“A gente já vem participando do Pernambuco Meu País, tocamos em Pesqueira e em Caruaru, e é muito importante ver essa iniciativa promovendo a circulação da nossa cultura. Em Caruaru, fizemos um show e vimos jovens da idade do meu filho cantando as músicas. Isso é muito gratificante. Hoje, participar de uma abertura como essa, marcada pelo manguebeat, é ainda mais especial”, destacou Fred 04, vocalista da banda.

Um dos pontos altos da noite foi o show da Nação Zumbi, que celebrou o álbum Da Lama ao Caos, um dos discos mais influentes da história da música brasileira. Com participação especial de Maciel Salú, o espetáculo reforçou a atualidade da obra de Chico Science e a potência estética e política do manguebeat, emocionando o público em um momento de forte conexão simbólica com a memória do artista.

Antes da apresentação, Louise França, filha de Chico Science, surgiu no telão do palco para uma homenagem ao pai. Em vídeo, ela destacou a permanência simbólica do artista no cotidiano da cidade. “São 60 anos de um homem que vive nos lugares por onde passou, nos muros grafitados da cidade, no copo de cerveja antes do almoço. Ele vive aqui e agora, com vocês, esperando a Nação Zumbi subir a este palco”, afirmou. Em seguida, entoou versos do clássico Mateus Enter: “Cheguei com meu universo / e aterrizo no seu pensamento / trago a luz dos postes nos olhos / rios e pontes no coração / Pernambuco embaixo dos pés / e minha mente na imensidão”.

Encerrando a programação, João Gomes subiu ao palco e transformou o Terminal Marítimo em um grande coro popular. Fenômeno nacional, o artista levou ao público sucessos que dialogam com o forró, o piseiro e a música nordestina contemporânea. 

Antes de subir ao palco, o cantor se encontrou com a governadora Raquel Lyra, que, além da placa de homenagem do Carnaval deste ano, o presenteou com um conjunto de redes. O artista agradeceu o gesto entoando versos da canção De Mala e Cuia, de Flávio José: “Na minha casa tá sobrando rede / sobra torno na parede / amor pra dar e vender”.

*SOBRE O FESTIVAL PERNAMBUCO MEU PAÍS*

Realizado pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura (Secult-PE), da Fundarpe e da Empetur, o Festival Pernambuco Meu País ganhou uma edição especial de Carnaval, que passa a integrar um calendário contínuo de ocupação cultural em todo o estado.

No sábado (7), o público confere o Cortejo Gigantes de Pernambuco, com o Homem da Meia-Noite, o Galo da Madrugada e os Bonecos Gigantes de Olinda, além do concerto da Orquestra do Maestro Duda, com participações de Nonô Germano, André Rio e Marron Brasileiro. A programação inclui ainda o espetáculo Frevo Mulheres, comandado por Nena Queiroga, ao lado de Isadora Melo, Ylana Queiroga, Natascha Falcão e Laís Senna, além dos shows de Priscila Senna e Raphaela Santos, em homenagem ao brega pernambucano.

Encerrando a edição, no domingo (8), a programação é dedicada ao pagode, ao samba, à música romântica e ao pop brasileiro, com apresentações do Bloco de Samba A Turma do Saberé e do encontro Mulheres no Samba, que reúne a Orquestra Recife de Bambas, Gabi do Carmo, Karynna Spinelli, Maria Pagodinho e Gerlane Lops. O dia conta ainda com shows de Alcione, Belo e Glória Groove.

Em dezembro, o festival realizou uma edição de verão, passando por Camaragibe e pelo Terminal Marítimo de Passageiros, no Recife, além de integrar a programação do Réveillon em Jaboatão dos Guararapes. Já em janeiro, a iniciativa esteve em São José da Coroa Grande e na Ilha de Itamaracá, consolidando a estratégia de descentralização das políticas culturais e de estímulo ao desenvolvimento regional a partir da cultura.

Ao levar uma programação cultural gratuita e de grande porte a municípios fora do eixo da capital, o festival materializa a diretriz de democratização do acesso à cultura adotada pela gestão estadual. O projeto impacta diretamente cadeias produtivas como turismo, comércio, serviços, hospedagem e economia criativa, gerando renda, empregos temporários e ampliando a visibilidade dos territórios.

Reunindo artistas consagrados e novas vozes da cena local e nacional, o Pernambuco Meu País reforça seu papel como motor de desenvolvimento econômico, cultural e social. A edição de inverno, realizada entre julho e setembro, movimentou mais de R$ 200 milhões nas cidades por onde passou, evidenciando que a cultura é também um importante vetor de geração de renda e emprego.

Confira a programação:

7/02 (sábado)
16h30 - Cortejo Gigantes de Pernambuco com O Homem da Meia Noite, Galo da Madrugada e Bonecos Gigantes
18h30 - Orquestra do Maestro Duda, com Nonô Germano, André Rio e Marron Brasileiro 
20h30 - Frevo Mulheres: Nena Queiroga,Isadora Melo, Ylana Queiroga, Natascha Falcão e Laís Senna
22h30 - Priscila Senna
0h30 - Raphaela Santos

8/02 (domingo)
17h30 - Bloco de Samba A Turma do Saberé
18h30 - Mulheres no Samba: Orquestra Recife de Bambas, Gabi do Carmo, Karynna Spinelli, Maria Pagodinho e Gerlane Lops
20h - Alcione 
22h - Gloria Groove
0h - Belo