Raquel Lyra aciona a Justiça e exige que João Campos diga a quem acusou de “milícia digital”
A governadora Raquel Lyra apresentou, nesta quinta-feira (28),
interpelação judicial criminal, com fundamento no art. 144 do Código Penal,
diante de declarações públicas que atribuíram a “quem senta na cadeira para
governar Pernambuco” a coordenação de uma suposta “milícia digital” a partir do
Palácio do Governo. O instrumento assegura ao ofendido o direito de exigir que
o autor de uma manifestação pública se explique. Não se trata ainda de
queixa-crime nem de pedido de condenação. O objetivo é obter declaração precisa
sobre o alcance e o destinatário das afirmações feitas.
As declarações foram divulgadas em vídeo publicado por João Campos em
rede social, no dia 26 de agosto, e amplamente reproduzidas. Nelas,
empregaram-se expressões de extrema gravidade, entre as quais “milícia digital”
e “gabinete do ódio”, sem qualquer identificação de pessoas ou apresentação de
fatos que as sustentem.
A peça explica que o candidato “não fez uma crítica política, mas
atribuiu à administração do governo estadual a liderança de uma organização
clandestina dedicada à prática de atos ilícitos”. No ordenamento jurídico
brasileiro, o termo “milícia” designa organização criminosa estruturada para
atuar à margem da lei, e sua utilização contra a chefe do Poder Executivo
estadual, sem nomear responsáveis e nem indicar provas, ultrapassa os limites
do debate político.
Com a medida, a governadora requer que João Campos identifique, de forma
precisa e individualizada, a quem se referiu e em que fatos se baseou.
Como registra a própria interpelação, quem lança acusação dessa natureza “tem o dever de nominar a pessoa a quem acusa e se responsabilizar pelos seus atos”.

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