Polícia Federal e CGU deflagram operação contra esquema de corrupção e fraude em licitações em Pernambuco

A Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Superintendência da Polícia Federal na Paraíba, deflagrou nesta terça-feira (30) a Operação Infesto, que investiga um suposto esquema de fraude em licitações, corrupção, peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos de uma empresa especializada em serviços de dedetização e impermeabilização.

Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, sendo oito em Pernambuco, nos municípios de Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Paulista, além de um mandado em João Pessoa, na Paraíba.

As investigações começaram após a identificação de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica da empresa investigada. A Polícia Federal também apontou a realização de saques frequentes em dinheiro e transferências para diversas pessoas físicas.

Até o momento, os investigadores apuram contratos firmados com três municípios pernambucanos entre os anos de 2020 e 2024. Nesse período, a empresa recebeu cerca de R$ 3,8 milhões, dos quais aproximadamente R$ 2,3 milhões tiveram origem em recursos federais.

Segundo a investigação, parte do dinheiro era distribuída a integrantes da família da sócia da empresa e a terceiros, por meio de operadores financeiros e empresas interpostas, com o objetivo de ocultar a origem dos recursos. Também foram identificados indícios de repasses financeiros a um agente público durante a execução dos contratos, o que pode caracterizar o pagamento de vantagem indevida.

O nome Operação Infesto faz referência à principal atividade da empresa investigada, responsável por serviços de dedetização e impermeabilização. De acordo com a Polícia Federal, diversos contratos analisados, muitos deles firmados por dispensa de licitação, tinham como objeto o controle de pragas e a sanitização, cenário em que surgiram os indícios de irregularidades.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes buscam apreender documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que possam reforçar as investigações e identificar todos os envolvidos.

Os investigados poderão responder, conforme o avanço das apurações, pelos crimes de associação criminosa, peculato, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal informou que as investigações continuam e que os fatos ainda estão em fase de apuração.